Vamos falar um pouco da ATRITOS HC. Eu sou o Casca , guitarrista e um dos fundadores da banda, que surgiu no verão de 1989 em Canoas, a partir da decisão de alguns adolescentes em demonstrarem sua revolta e inconformismo com a realidade da época através do movimento punk, muito pouco difundido e muito discriminado naqueles dias. Os integrantes originais da banda foram:
- Casca guitarra-vocais;
- Cristiano "Groo" no vocal;
- Ricardo "Billy" (R.I.P.!!!) no baixo; e
- Marcelo "Moreno" na Bateria/vocais.
Na época, o Brasil vinha sofrendo várias quedas na sua economia, planos econômicos e trocas da moeda nacional fracassavam um atrás do outro, gerando cada vez mais pobreza e insatisfação à população, tudo regado com índices de inflação estratosféricos e pela corrupção de sempre.
O movimento punk chegou alguns anos antes em Canoas, a cena surgia e seus integrantes eram vistos como marginais. Faziam só quatro anos que a ditadura militar tinha acabado, deixando marcado o pensamento coletivo, vendo tudo que era diferente como errado e perigoso. Seguimos em frente, os ensaios eram um tormento para os vizinho, então revezávamos os locais de ensaios junto com outras bandas locais e de cidades vizinhas, como o Sub-vida (Esteio), dada restrição de espaço e equipamentos.
Os shows logo surgiram: o primeiro, foi no Porão da Casa do Estudante em Porto Alegre (1990), com outras bandas como Sub Vida, Defeka, K-21, entre outras. Naquela época, a cena era muito diferente da de hoje, havendo maior tolerância na cena. Punks, skinheads, headbangers, góticos, coabitavam a Oswaldo Aranha, apanhando (e reagindo) juntos da polícia, algo inimaginável atualmente.
Depois do primeiro show, outros iam surgindo com frequencia cada vez maior, mas sempre em outras cidades, porque Canoas insistia em fechar as portas para as bandas punks que surgiam em número cada vez maior.
Depois do primeiro show, outros iam surgindo com frequencia cada vez maior, mas sempre em outras cidades, porque Canoas insistia em fechar as portas para as bandas punks que surgiam em número cada vez maior.
Em 1990, foi gravada a primeira demo-tape em estúdio (nada que mudasse muito em qualidade das gravações feitas na garagem, já que o estúdio era de fundo de quintal, no bairro Estância Velha, Canoas). Porém, essa demo-tape tosca chegou nas mãos dos produtores do LP coletânea "Paranóia Suicida" (gravada pelo selo independente "Sulcos Suicidas"), que curtiram nosso trampo e nos convidaram para participar da coletânea, o que - infelizmente - não chegou a acontecer, porque nós não conseguimos juntar a grana necessária para pagar as despesas de estúdio, gravação, etc..
Em 1992 houveram algumas divergências internas e os integrantes optaram por separarem-se, dando origem à duas bandas:
- A banda Atritos - que segue com o mesmo nome, criado pelo Billy e pelo Moreno. Eles dão continuidade à banda criando um repertório de sua autoria e chamando nosso amigo Darlan para tocar baixo, com o Billy (R.I.P.!) passando a ser o guitarrista; e
- A banda Coma Alcoólico - Como praticamente todas as músicas e composições da época eram de minha autoria, me uni com o Cristiano "Groo" e seguimos tocando nosso repertório original. Para completar a banda, contamos com a entrada de dois novos integrantes, o Ricardo "Polenta" na bateria e o Samarone no baixo, iniciando um período extremamente produtivo tanto em termos de novas músicas quanto de shows e relacionamento com outras bandas.
Na época, a Coma Alcoólico tocou no maior festival punk do RS (pelo menos, até em tão...), em 08 de maio de 1993 (Dia da Mulher) na cidade de Parobé. Anos depois, houve o reencontro entre a Atritos e a Coma Alcoólico, com a saída do Samarone da Coma Alcoólico e o Billy retornando ao posto de baixista. Esse período durou até 1995, quando o Polenta também teve de se afastar da banda, encerrando as atividades da Coma Alcoólico.
O fim da Coma Alcoólico dá início à segunda fase da Atritos!, quando conhecemos o Alex "Ataque", baterista da Banda D.H.C. (de Canoas, no bairro Rio Branco), passando a ser também nosso baterista até meados de 1999. Seu estilo rápido e agressivo de tocar bateria resultou em uma mudança radical na sonoridade da Atritos HC, que passou a fazer um som mais nervoso.
O fim da Coma Alcoólico dá início à segunda fase da Atritos!, quando conhecemos o Alex "Ataque", baterista da Banda D.H.C. (de Canoas, no bairro Rio Branco), passando a ser também nosso baterista até meados de 1999. Seu estilo rápido e agressivo de tocar bateria resultou em uma mudança radical na sonoridade da Atritos HC, que passou a fazer um som mais nervoso.
O Groo e o Billy sairam logo em seguida, o último por problemas com as drogas, dando início ao estigma da Atritos! em achar um baixista fixo que, depois do Billy, foram só dois: o Zulu e o Rodrigo. Salvo essas duas excessões, contamos por um bom tempo com a ajuda dos amigos músicos de outras bandas que quebravam um galho para nós, como o Duda (Andarilhos do Esgoto), o Téu (Desafio ao Poder/Sobreviventes do Kaos), o Bira (Desafio ao Poder), entre outros. Eu até assumi o posto de baixista da banda por uns tempos, quando passei a guitarra para nosso amigo Fabiano, que também morava no bairro Rio Branco.
Com a saída do "Groo" da banda, convidamos nosso amigo Daniel "Ganso" para o posto, aumentando ainda mais o potencial ofensivo da banda, que seguiu com essa configuração até meados de 1998/1999.
Em 2001 a Atritos retorna com a formação original, mas o Groo deixou a banda nos primeiros ensaios, comigo (Casca) assumindo os vocais. Mesmo em trio, tocamos ao ar livre no 1º de maio no Skate Park IAPI, em Porto Alegre, e também ao ar livre na Praça Dona Mocinha, em Niterói, Canoas. O último ensaio da banda foi em 2002, quando entramos em recesso de atividades. Billy lutou para desvenciliar-se das drogas até 2003, quando faleceu.
Depois disso resolvemos dar um tempo com a banda, tocamos nossas vidas, mas deixando claro o desejo de seguir com a Atritos HC.
Em 2011 o meu filho já era um adolescente (como eu, quando comecei a tocar) e, para minha grata surpresa, hoje ele segue meus passos, curtindo os mesmos sons e partilhando do mesmo modo de pensar sobre usar a música contra as injustiças desse mundo que vivemos. Dessa forma, o desfecho não poderia ser outro: a ATRITOS HC voltou as atividades contando com ele, o Kevin, no posto de baixista, eu (Casca) na Guitarra/vocais, o Renato (Ódio Urbano) na guitarra/vocais, o Cassius (ex D.H.C/Desafio ao Poder) no vocal e com a Daniela (ex Sublevação Feminil/Neurose Brutal/Kombativos) nas baquetas.
Após a saída da Daniela e do Cassius da Atritos HC, hoje somos:
- Casca HC: Vocal/guitarra;
- Renato: Guitarra solo/vocais;
- Kevin: Baixo/vocais;
- Lipe: Bateria/vocais
Após a saída da Daniela e do Cassius da Atritos HC, hoje somos:
- Casca HC: Vocal/guitarra;
- Renato: Guitarra solo/vocais;
- Kevin: Baixo/vocais;
- Lipe: Bateria/vocais
(ATRITOS HC 2011)
Portanto, à todos aqueles que curtiram a ATRITOS HC durante os anos 90 (as quebradeiras do "Gullys" em Canoas, os festivais Polenta Frita" de Caxias do Sul, entre tantas outras gigs memoráveis daquela época), vamos protestar contra este sistema fodido usando o barulho como arma de contestação. aos que não são aquela época, contamos com vocês para escrevermos as novas páginas dessa história!!!








